Taça de cristal despedaçada,
flores murchas,
móveis empoeirados,
enfim, imagens do que restou.
***
Eu mal consigo sentir qualquer gosto ou odor,
e o ar ao meu redor parece rarefeito e indiferente;
ah, os pequenos sufocamentos do
dia a dia.
***
Tento outra vez atravessar uma
parede de ressentimentos e falta de amor.
***
Espero um mais pouco,
olho para todos os lados,
e sinto a brisa suave da manhã em
meu rosto,
o cheiro da primavera em flor.
***
O futuro não se mostra excitante,
e o passado ruge como uma fugidia
e capciosa lembrança.
Tento não pensar em nada
– sei que sou poeira ao vento –;
quero apenas fincar os meus pés
no possível, no palpável.