Um dos
nossos maiores medos na vida é o da deterioração produzida pela ação do tempo.
A verdade é que o tempo é cruel, insensível e persistente; obliteração de
memórias, esfriamento de sentimentos e enfraquecimento de laços outrora fortes
são alguns de seus efeitos mais recorrentes. É certo que, no fim das contas,
ele irremediavelmente nos vencerá, mas não devemos por causa disso deixar de
combater o bom combate, até o fim. Conservar é preciso! Temos que resistir à
frouxidão que aos poucos toma conta de todas as coisas. O ser humano responde
sempre a estímulos. Infelizmente, quando todos os estímulos cessam, tudo tende
a desaparecer em pouco tempo. Por isso, se queremos que alguém realmente
permaneça ao nosso lado, temos que superar o nosso egoísmo e constantemente
mostrar a esta pessoa o quanto ela é importante para nós.
Mediocridade: viver
uma vida sem reflexões, sem tristezas profundas e agonias torturantes; ser uma
pessoa sem vício algum, ostentando a todo momento uma moral falsa e fajuta; não
se deixar levar por paixões momentâneas, pelo prazer de se viver intensamente
algo por medo do julgamento alheio; não se entregar à loucura fustigante da
existência; fingir que o desejo não é a força motora da humanidade; querer ter
uma resposta para tudo, um sentido a
priori para a vida; ser extremamente racional e metódico, um chato de
galocha; anunciar a todos a sua verdade recém descoberta; achar-se o máximo a
todo instante; nunca se abandonar ao Infinito que nos envolve e, aos poucos,
nos dilacera.
junho 10, 2017
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Uma agonia excruciante invade o
meu ser;
sinto em mim os estertores da
derradeira ilusão.
Faz um silêncio absoluto,
ensurdecedor.
Toda esperança agora possui uma
aspecto natimorto;
nem sublimar o que quer seja eu
consigo mais.
Vácuo... Frio... Esquecimento...
Transfiguração
junho 09, 2017
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Encontrar-te-ei aonde quer que
tu andes;
não quero ser como os outros,
quero ser J. Pinto Fernandes.
Mesmo sabendo que se trata
apenas de uma rima,
que haverá sempre pedras no
caminho,
que as luzes da festa logo se
apagarão,
desejo arder intensamente pelo
efêmero tempo que ainda nos resta.
junho 09, 2017
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Naufrágio, desmoronamento,
destruição
Estragos, escombros, ruínas
Nonsense
viver...
Distraídos sobreviveremos.
...
Nos cumes do Desespero,
a
vertigem agônica
o
Vazio obliterante
o
Caos, o Nada e Tudo.
junho 08, 2017
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Uma força da natureza:
idiossincraticamente múltipla,
mas ao mesmo tempo única;
de uma personalidade
fulgurante,
repleta de nuances, mistérios e
fervores;
peculiarmente inteligente,
ousadamente bela,
inalcançável e vulcânica;
puro abismo e paroxismo.
junho 08, 2017
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Era uma
noite fria. Quatro amigos se reuniam mais uma vez para compartilhar os seus
anseios e dizer suas meias verdades. O que cada um revelava era demasiado pouco
em comparação com aquilo que guardavam para si mesmos. O medo de que uma dose
extra de sinceridade corroesse a harmonia da mesa pairava sobre copos e mentes.
Realidade A: O encontro foi
extremamente agradável, todos ficaram contentes e voltaram para suas casas satisfeitos
com o fugaz momento que juntos tiveram. No entanto, por mais que se
esforçassem, depois daquele dia, e durante o resto de suas vidas, a hipocrisia
os perseguia por todos os lugares; a moral os oprimia constantemente; suas
mentiras os chicoteavam; viviam como escravos de suas próprias palavras e
convicções; e, acima de tudo, não conseguiam escapar de seus enclausuramentos
autoimpingidos. Realidade B: O
encontro foi extremamente agradável, todos ficaram contentes e voltaram para
suas casas satisfeitos com o fugaz momento que juntos tiveram. Depois daquela
noite, através de muita força de vontade e dedicação, cada um procurou desconstruir
em si a hipocrisia que os afastava de uma vida plenamente autêntica; verdades
foram ditas – tanto para si mesmos como para outros –; e, como sempre acontece
na vida, algumas amizades sobreviveram, outras não. Realidade Z: Nada disso aconteceu; não havia bar nem hipócritas;
não havia história nem narrador... O Vazio paradoxalmente preenchia tudo.
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(Nota
de rodapé: as realidades de C a Y não foram descritas, mas elas também
coexistem dentro do mesmo Multiverso de infinitas probabilidades.)
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junho 08, 2017
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Mesmo
sabendo que nunca encontraremos um sentido a
priori que justifique a nossa existência. Mesmo tendo consciência de que
caminhamos inexoravelmente rumo ao Nada, ao vazio que abarca a tudo e a todos
em algum ponto do futuro. Mesmo reconhecendo a insignificância do ser e a sua
total irrelevância, seja em atos, palavras ou obras. Mesmo assim, quero
registrar aqui algo indubitável: és importante e deveras querido em meu
universo interior, que é o lugar onde habita a essência mutável daquilo que sou
– pelo menos por um breve período.
maio 29, 2017
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Somos
seres incompletos, imperfeitos e insatisfeitos. Vivemos, portanto, sempre à
procura de algo que nos torne completos, perfeitos e realizados. Mas onde
poderemos recuperar aquilo que nos falta? Estará esse pedaço perdido escondido
no mais íntimo do nosso próprio ser ou guardado em outro alguém que ansiamos
muito por encontrar?
Bem,
nem tudo o que procuramos no outro está dentro de nós, e nem tudo que nos falta
pode ser preenchido por outra pessoa. Não acho, no entanto, errado buscar no
outro algo que nos falte, errado é nos submetermos a situações ruins nessa
busca, fingindo que encontramos aquilo que tememos nunca encontrar, ou mesmo
nos enganando com a afirmação de que não nos falta coisa alguma. Se há carência
e solidão, provavelmente há algo faltando, e este algo pode ou não ser
encontrado, isso depende muito das circunstâncias, empenho e características de
cada um.
Devemos
aprender a lidar com os vazios que existem dentro de cada um de nós. Cada
indivíduo traz consigo o seus defeitos, vícios e carências, por isso devemos
crescer juntos, descobrindo aquilo que nem suspeitávamos que poderia haver de
bom no outro, criando um caminho em comum de desenvolvimento e superação. Eu
sei que conviver não é nada fácil, porém uma coisa é certa: sozinhos
naufragaremos irremediavelmente.
Não há
respostas prontas, não existe nenhum caminho plenamente seguro. Na vida, sim,
tateamos no escuro muitas vezes, mas quase sempre encontramos mãos solidárias
dispostas a nos ajudar. O importante é não nos fecharmos, negando a nós mesmos
todo e qualquer auxílio. Enfim, ninguém é tão autossuficiente que não precise
de alguém, e ninguém é tão necessitado que não possa ajudar outra pessoa – não
devemos nunca nos esquecer disso.
abril 16, 2017
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Nós
possuímos uma clara tendência à criação de padrões, estabelecendo em tudo
relações de causa e efeito, criando assim – pelo menos em nossas cabeças – uma
sistematização de algo que nos parece caótico. Não me refiro aqui a existência
ou não de padrões na natureza, nem ao modo mais adequado para perceber tais
padrões, me atenho principalmente ao fato de que somos seres moldados
evolucionariamente para a busca de sentido. Arquitetamos narrativas para a
criação do mundo; inventamos histórias que justifiquem os nossos sofrimentos;
buscamos respostas para os mínimos eventos do nosso cotidiano; entrelaçamos
todas as coisas em um arcabouço teórico ordenado, lógico, verossímil, porém
falso. A problemática neste ponto está na dificuldade que temos de nos
desapegarmos de nossas próprias certezas; o homem, de fato, sempre será “a
medida de todas as coisas”, não temos como fugir das limitações impostas pelos
nossos sentidos e, principalmente, pela nossa restritiva capacidade
cognitiva. O que nos resta, caso
tenhamos coragem, é “ousar saber”, mesmo que esse saber contradiga aquilo que
acreditamos mais profundamente, mesmo que o quadro pintado seja desolador.
Crescer apesar de toda a dor ou resignar-se com as respostas prévias já
obtidas, eis a questão.
março 15, 2017
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Antes
de qualquer coisa, devemos entender que religião é tradição, é ouvir a
sabedoria dos nossos antepassados, é aprender com os erros daqueles que já
trilharam o mesmo caminho que estamos trilhando agora.
Podemos
cultivar uma espiritualidade sem uma religião que a sustente, podemos inclusive
cultivar uma espiritualidade sem Deus, mas o que a experiência nos mostra é que
as pessoas que possuem uma religião e a praticam conseguem desenvolver muito
mais facilmente a sua espiritualidade.
De um
modo geral, as pessoas mais espiritualizadas são as religiosas, pois estas
seguem preceitos e orientações, dedicando a sua vida a uma contínua busca pelo
aprimoramento próprio. Quando o indivíduo abandona a religião e tenta ele mesmo
cultivar essa espiritualidade ao seu modo, ele acaba geralmente afrouxando o
seu compromisso pessoal com a sua própria melhoria – antes a pessoa tinha que
ser melhor porque Deus queria, agora ela precisa ser melhor pelo simples fato
de que quer ser melhor (e sabemos muito bem como somos autoindulgentes quando
dependemos somente de nós mesmos).
Na
famosa frase de Dostoiévski: "Se Deus não existe, tudo é permitido",
temos, de um lado, o arcabouço moral de uma tradição milenar a nos orientar e,
de outro lado, o homem abandonando a sua história, o seu passado, decidindo por
si mesmo o que é certo e errado. Eis o dilema: seguir a trilha demarcada por
aqueles que vieram antes de nós ou abrir a golpes de facão um novo caminho?
Espiritualidade
(sem religião) é trilhar o próprio caminho, sozinho. E sozinho é bem mais fácil
se perder. É claro que podemos alcançar ótimos resultados sem nenhum auxílio
externo, demorará mais tempo, maiores serão os obstáculos, mas os resultados também
poderão ser muito satisfatórios. Cada um escolhe o seu próprio caminho: vencer
somente às custas do próprio mérito é muito honroso; vencer utilizando
ferramentas, métodos e a sabedoria acumulada de séculos não é nem um pouco
vergonhoso.
março 15, 2017
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Para
perscrutar o âmago das coisas, introspecção. Para vislumbrar a natureza das
relações humanas, solidão. Para conservar aquilo que a vida tem de bom, muita
persistência e coragem. Não há respostas prontas, não existe caminho fácil.
Suor, lágrimas, perdas, dedicação, superação, alegria, tudo se condensa numa
existência única e particularíssima.
Olhar e
apreender o sentido daquilo que talvez não tenha em si sentido algum; respeitar
a especificidade e a importância de cada pessoa; respirar muitas vezes o ar
irrespirável do caos que nos cerca; seguir em frente mesmo quando a esperança
se torna rarefeita; recriar no nosso imaginário, no nosso espírito, a harmonia
tão desejada; ressignificar e perseverar sempre!
Uma
leve brisa sopra ao pôr do sol. O expediente termina, a noite cai, todos
procuram pelo aconchego de um lar. Durante a madrugada, chove torrencialmente.
E, em certo momento, o silêncio se faz absoluto. De repente, o despertador
toca, a casa começa a criar vida novamente – a jornada continua.
fevereiro 19, 2017
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Tristes laudas de meu último
desespero:
a noite
chega
o livro
finda
a busca
cessa
Tudo se assemelha a um intenso
nevoeiro...
a marca
de uma lágrima
o gosto
amargo de uma derrota
o
sorriso revigorante de um recomeço
Vagas lembranças de um passado
incerto;
dunas que se moldam ao
bel-prazer dos ventos.
fevereiro 19, 2017
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A morte
não carrega em si nenhum grande mistério, mas a vida sim. Não é difícil
perceber, por um lado, que a não-existência é a principal e mais constante
regra do universo e, por outro, que a existência é simplesmente uma maravilhosa
exceção. Estar aqui e ter consciência disso é de uma magnificência
incomensurável. E poder dividir esse momento com vocês é melhor ainda! Feliz
Ano Novo!
dezembro 30, 2016
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Dragões,
espaçonaves, zumbis, vampiros, ciência, magia - podem colocar tudo o que
quiserem na tela do cinema, só não se esqueçam, por favor, de contar uma boa
história.
Hoje,
os efeitos especiais, cada vez mais, tomam o espaço de um bom roteiro.
Explosões, acontecimentos fantásticos e muita ação desenfreada estão, não sei
se intencionalmente ou não, substituindo uma boa narrativa. As personagens, que
antes eram o núcleo do filme, transformam-se muitas vezes em meros joguetes da
trama, pois o que importa mesmo é mostrar a riqueza de um universo criado para
conter a insanidade decorrente de duas horas ininterruptas de completa estupefação
(ou puro tédio).
A
imaginação sem limites e os efeitos especiais devem, sim, ser usados, mas da
forma correta, como recursos narrativos, e não como fins em si mesmos. Não há
nada de errado em querer ver mundos fantásticos, robôs gigantes, seres
sobrenaturais ou raças alienígenas. O problema está em se esquecer que o que
cativa realmente o público, para além da fantasia, são os dramas pessoais das
personagens.
A arte
deve ser sempre humanizadora, trazendo às pessoas experiências pelas quais já passaram,
ou que (o que é mais provável) nunca venham a passar, mas que servem de pontes
para a vida real. A magia do cinema não está só na sua capacidade evidente de
nos fazer esquecer dos problemas diários, mas principalmente na sua relação
direta com os dramas da vida.
dezembro 19, 2016
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