Em vão os homens procuram
saciar a sua demente loucura
em prazeres fugazes e vícios
na busca de alguma ventura.
– Chamam isso de felicidade,
e em sua busca fazem a guerra;
cantam, gritam e se exasperam;
vagam desorientados pela Terra
na esperança de encontrá-la.
A certa altura a busca se
mostra inútil,
e eles se sentem frustrados,
iludidos,
porém, persistem, continuam;
sabem, instintivamente, que
tal renúncia seria a própria
extinção.
setembro 01, 2014
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Lábaro, o que ostentas
estrelado?
O que diz o verde-louro de tua
flâmula?
Onde está a paz? Cadê o
progresso?
Glórias de um passado fictício,
lembranças de um tempo esquecido,
esperança agonizante de um
futuro incerto;
estará tudo definitivamente
perdido?
Democracia, palavra deturpada e
enxovalhada,
que necessita urgentemente de
uma ressignificação
para se tornar, enfim,
um sonho intenso, um raio
vívido,
capaz de despertar
esplendidamente o colossal infante
de seu sono entristecido.
agosto 31, 2014
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Devaneando vou,
pisando descalço
o vidro cortante
em que me desfaço.
***
Degredado vivo,
num país distante,
sem amigos, amor,
sorte ou amante.
***
Procuro encontrar
a felicidade;
e no amor mútuo,
a cumplicidade.
agosto 31, 2014
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Ser uma pessoa introvertida
é viver dentro do próprio
mundo,
como num rio denso e profundo
a desaguar na foz da vida.
É ter um coração fecundo:
uma emoção sempre contida,
uma vontade reprimida,
um sonho a cada segundo.
É não querer popularidade;
preferir mais ficar sozinho,
vivendo em tranquilidade.
É buscar no céu um caminho,
se perdendo na imensidade,
livre como um passarinho.
agosto 30, 2014
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No frio deste inverno,
não consigo derreter
o gelo que se formou
dentro do meu peito
desde o amanhecer.
***
A noite cai depressa;
sinto o meu corpo frio.
– Haverá esperança,
ou alguma alegria,
após a curva deste rio?
***
Somente três certezas
tenho neste instante:
- o amor é um pavio;
- a vida só passagem;
- e eu um inconstante.
***
Sinto a frialdade
de uma leve brisa.
Em meio à névoa,
vejo ao longe
uma nova divisa.
agosto 30, 2014
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agosto 30, 2014
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Rósea flor dos meus sonhos
pueris,
imagem incrustada no meu peito,
oh, doce afã em que me deleito
nestas noites tão ardentes e
febris!
Tu vens insidiosa ao meu leito;
vorazmente me beijas e sorris,
e, como uma adorável meretriz,
subjuga-me sem o menor
respeito.
E, assim, me abandono à tua
vontade,
inconsequentemente, loucamente,
desrespeitando toda e qualquer
moral.
Não sou mais apenas uma metade;
estás diuturnamente em minha
mente,
inebriando-me com um eflúvio
divinal.
agosto 29, 2014
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Ouço a verborragia cretiginosa
que ecoa em cada esquina,
em cada beco, nos meios ditos
sociais.
E, diante da insignificância
dos nossos atos,
percebo a necessidade
inconsciente, imprudente,
de perpetuar uma imagem que
nada diz,
muito menos condiz,
com a nossa verdadeira
realidade.
agosto 29, 2014
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Aos fobofóbicos de plantão:
Ousai!
Não vos encarcereis!
Que o vosso amor a este pérfido
sentimento
seja desarraigado e
transmutado.
Devei temer, sim, mas não desta
forma,
senão começareis a ter
alucinações realísticas,
ou, porque não?, consumísticas,
que lentamente encobrirão,
como uma chuva de cinzas,
a vossa existência.
agosto 29, 2014
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Poeta, filósofo, astronauta,
um artista no palco da vida;
eu sou uma nota fora da pauta,
e de Deus a imagem distorcida.
Sou alguém que tem tudo e tudo
falta;
um profeta na cidade vendida.
Sou um forte guerreiro que
exalta
a dor a cada nova ferida.
De tanto buscar nem sei mais
quem sou;
o destino depressa se desfaz,
mal chega a fortuna vem a
desdita:
Esta vida é mesmo louca e
bendita!
Ser ou não ser – agora tanto
faz...
Eis-me aqui, Vida, desfrutar-te eu vou!
agosto 27, 2014
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O que
torna a nossa época tão enfadonha é o fato de que todo mundo hoje em dia tem
uma opinião (quase sempre genérica e superficial) sobre tudo. A mediocridade
disfarçada de discurso inteligente, o otimismo exagerado e falso, e a tentativa
de projetar a qualquer custo uma autoimagem de pessoa realizada e decidida
transformam o cotidiano num deserto lúgubre e infértil, que apenas serve para a
criação de novas ilusões e utopias.
agosto 27, 2014
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poesia
sem poesia
sonhos
estilhaçados
na
crueza singela da vida,
homens
silenciados.
vida
sem poesia
insípido
cotidiano
fantasia
destruída
início
de um novo ano.
agosto 27, 2014
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Descalço o homem repisa o chão
já cansado.
Um caminho se lhe apresenta:
continuar,
- mas como? -
se seus pés maltratados
imploram por um oásis,
um refrigério, um sonho-ilusão,
vida-doce-canção.
Marginalmente esquecido,
necessita reaprender a olhar,
desapegar-se da dolce vita que tanto sonhara
para poder viver a experiência,
ao mesmo tempo
aterrorizante e esplêndida, da
realidade.
Numa confluência inesperada,
mundos distintos:
- o racionalismo totalizante da
vida;
- o escapismo transcendente da
imaterialidade.
Mais do nunca é preciso
reinventar-se.
setembro 09, 2012
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Catapultar-me-ei às estrelas,
até o balé infinito das
esferas,
atravessando nebulosas
fabulosas,
galáxias turbilhonantes,
mundos de sóis e girassóis
brilhantes,
pulsares, quasares, e tudo o
mais que pensares.
E quando, ao final desta
frenética jornada,
já cansado e procurando
aconchego,
eu finalmente sossegar,
quero te reencontrar, lindo e
azul,
oh, meu doce lar.
agosto 29, 2012
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