Vanitas vanitatum
Sou uma vítima de minhas
próprias expectativas,
um artista a produzir um mundo às
vezes edulcorado,
um servo voluntário de um amor
desfeito.
Na memória, empolgações
fugidias de uma noite sem verão;
neste momento, o contínuo tédio
das horas tristes que nunca me abandonam.
Feridas, mágoas, cicatrizes;
um vívido pesadelo que não
passa.
Vou adentrando pouco a pouco no
terreno insólito de uma solidão que se faz cada dia mais aguda e sufocante.
Há muito já se passou o tempo
do desespero, do grito e da convulsão;
trago comigo apenas uma
esperança desesperançada
e um vazio crescente ao longo
desta eterna madrugada.
0 Comments