Algures

by - junho 02, 2020

Prados verdejantes, oh, bucólica lembrança
Do tempo em que éramos pastor e pastora
(Glauceste e Nise,
Marília e Dirceu,
Elmano Sadino...)
E vivíamos num frugal cotidiano,
Longe do ritmo frio e incessante do moderno maquinário,
Mas perto do calor ardente de uma reciprocidade irrestrita.

Oh, colina árcade de minhas reminiscências,
Onde eu era um artesão das palavras,
Um flautista alvissareiro a reverenciar,
Com meu singelo canto,
A natureza, o equilíbrio e a perfeição.

Nos campos helênicos cheio de flores,
Ou entre as minas de um ouro colonial,
Preenchia-se o pavor do vazio
Com odes, sonetos e canções.

Cinzas de outrora, poesia esquecida;
Nada mais restou daquela outra vida.


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