Silêncio
Hoje eu acordei com a estranha
sensação de que não te amo mais.
Levantei da cama, abri a
janela, saí pela porta da frente e me deparei com um silêncio,
um silêncio tão grande, tão
acolhedor, tão exasperante.
Qual foi mesmo o sentido disso tudo?
Fico sem respostas, não as
tenho, decerto, nunca as terei.
Há um mergulho profundo no
abismo da alma,
um não sei quê com o gosto
amargo da solidão.
Começo a andar, depois correr, passadas
largas;
quero me distanciar, fugir de
mim mesmo.
Não há lágrimas visíveis, apenas
um mar revolto que se esconde por dentro.
Fachadas,
tormentas, naufrágios...
A rua em que estou continua a
mesma rua que passo todos os dias,
com os mesmos cães, com as
mesmas pessoas, com os mesmos bons-dias;
e eu, de certa forma, continuo
também o mesmo,
apesar de, talvez, já ser outra
pessoa.
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