De cor
Conheço bem a tua decoração,
cada fita, vestido ou
penduricalho.
Conheço de cor o teu sorriso,
o jeito como me olhas,
a forma como ajeita as
madeixas.
Conheço o teu jeito de me
repreender,
de mostrar que estás zangada.
Mas, por mais que tente, só arranho
a superfície do que tu és:
esfinge amorosa, flor
deleitosa,
bálsamo, tormenta e orvalho.
És arte e música barroca,
luz e sombra,
harmonia e contraponto,
som e fúria.
Bem, tu és o que não sei dizer,
o que não ouso descrever,
aquilo que está para além de minha compreensão.
...
...
Só sei, ainda que
imprecisamente, sobre o que sinto:
júbilo e lamento de amor.
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