Carência
Eu não
quero ser um monopolista da sua atenção, do seu afeto. Você sabe que eu exijo
pouco, muito pouco, não lhe dou muito trabalho. Você bem que poderia fingir que
se importa, demonstrar algum afeto, mesmo que insincero; migalhas são melhores
do que nada, pelo menos a princípio. Você me olha, mas não me vê; sou apenas um
estereótipo pra você, a imagem idealizada e sintética que facilita a sua falta
de vontade de saber quem eu realmente sou. No seu universo umbigocêntrico não
há muito espaço para mim; orbito o seu ego por inércia, por medo de perder o
que talvez nunca tenha conquistado, por uma falência total do meu suposto amor
próprio. E o pior de tudo é olhar para o espelho e notar que não está mais lá a
minha face, pois é você neste instante que vejo.
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