Acertando o passo
Eu não
tenho a quem culpar; a responsabilidade é única e exclusivamente minha. Fiz o
que fiz guiado por um desejo cego, mas não posso negar que me deixei levar, que
sabia muito bem o que estava fazendo. Magoei muitas pessoas, de outras tantas me
afastei, e a quem mais feri com meu modo imprudente foi a mim mesmo. Tento hoje
ser uma pessoa melhor, tento não repetir mais os mesmos erros; não é uma tarefa
fácil. Acho que me tornei com o tempo uma imagem caricata, um reflexo
pálido daquilo que já fui outrora; a máscara que um dia vesti para me sentir
mais confortável e seguro colou-me ao rosto de maneira a se transformar também
em rosto, no novo rosto que passei a ter diante de todos. Depois de tanto
tempo, nem sei mais qual é a minha verdadeira face! Por certo, ela será aquela
que construirei passo a passo a partir dos dias que terei à frente. Ah, que
sejam suficientes estes dias vindouros!
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