(Autoria: Gleice C. Lanzoni)
Não sei
por que, mas sempre gostei mais da cor azul. É uma cor que me atrai
profundamente, até o âmago da minh'alma. Talvez isso seja um resultado do meu
fascínio, desde pequena, pelo céu de anil, pelo mar azul turquesa, por
vestidos e olhos cerúleos... Enfim, o infinito deve ser formado por uma miríade
de tons de azul, o que me faz querer desvendar e explorar cada vez mais,
mergulhando no mistério celeste sem fim da existência.
Sempre
achei as violetas flores muito difíceis de serem cultivadas. Elas não se
adaptam a qualquer lugar, há que se regá-las com todo apreço para não
sucumbirem ao excesso de água e também para não morrerem pela falta da mesma. Penso
numa analogia, que pessoas se parecem muito com flores, e para mim, a
violeta, apesar de parecer muito delicada, é uma das flores mais bonitas
e peculiares de nossa natureza.
As
pessoas violetas têm seu próprio mundo, vivem nele, sendo por isso muito
difícil invadir seus espaços e descobrir seus índigos segredos. Elas escolhem
seu canto e lá ficam, entorpecidas pelo local que elegeram para si, por
muito tempo. Contemplativas e misteriosas, elas pouco falam, mas mesmo assim, de
uma forma serena e inesperada, espalham o seu perfume tranquilizador a
todos.
Queria
saber cultivar as violetas, mas há que se ter uma paciência quase
monástica para se dedicar totalmente a uma florzinha tão peculiar como ela... Eu
que sou um pequeno girassol, que me movo de um lado para outro,
impetuosa, colorida, quase ofuscante. Eu que tento de todas as formas ser
vida, cor e calor. Eu, que sou o que sou, queria ser uma violeta, mas sou um
girassol! E girassóis não habitam o mesmo vaso de uma violeta. Mas não tem
problema, sorrio ao saber que faço parte desta rica diversidade de tons,
brilhos e agradáveis odores.
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