Quatro hipócritas e um bar
Era uma
noite fria. Quatro amigos se reuniam mais uma vez para compartilhar os seus
anseios e dizer suas meias verdades. O que cada um revelava era demasiado pouco
em comparação com aquilo que guardavam para si mesmos. O medo de que uma dose
extra de sinceridade corroesse a harmonia da mesa pairava sobre copos e mentes.
Realidade A: O encontro foi
extremamente agradável, todos ficaram contentes e voltaram para suas casas satisfeitos
com o fugaz momento que juntos tiveram. No entanto, por mais que se
esforçassem, depois daquele dia, e durante o resto de suas vidas, a hipocrisia
os perseguia por todos os lugares; a moral os oprimia constantemente; suas
mentiras os chicoteavam; viviam como escravos de suas próprias palavras e
convicções; e, acima de tudo, não conseguiam escapar de seus enclausuramentos
autoimpingidos. Realidade B: O
encontro foi extremamente agradável, todos ficaram contentes e voltaram para
suas casas satisfeitos com o fugaz momento que juntos tiveram. Depois daquela
noite, através de muita força de vontade e dedicação, cada um procurou desconstruir
em si a hipocrisia que os afastava de uma vida plenamente autêntica; verdades
foram ditas – tanto para si mesmos como para outros –; e, como sempre acontece
na vida, algumas amizades sobreviveram, outras não. Realidade Z: Nada disso aconteceu; não havia bar nem hipócritas;
não havia história nem narrador... O Vazio paradoxalmente preenchia tudo.
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(Nota
de rodapé: as realidades de C a Y não foram descritas, mas elas também
coexistem dentro do mesmo Multiverso de infinitas probabilidades.)
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