Ditadura da Felicidade
Se
tomarmos por base a seguinte definição para a nossa atual vida moderna: Vida – aquilo que fazemos entre uma
obrigação e outra. Teríamos dessa maneira, uma evidenciação do caráter
fragmentário que permeia a nossa existência nesta nova era pós-moderna e
globalizada. A vida, por assim dizer, deixou de ser um continuum de vivências e aprendizados, para tornar-se um amontoado
de pequenos pedaços, tal qual uma colcha de retalhos, onde privilegiamos apenas
os momentos prazerosos e felizes, descartando tudo o mais como desnecessário e
inútil para as nossas vidas. Neste ponto, nos defrontamos com uma míope
valoração da existência apenas de acordo com aquilo que ela pode nos oferecer
de melhor. Achamos que a vida possui um valor menos apreciável quando estamos
trabalhando, estudando ou fazendo algo que nos é compulsório. Queremos
vivenciar somente as experiências obtidas em nossas horas de folga, entretenimento
e de descanso. Sonambulamente passamos pelas nossas obrigações e deveres,
abrindo somente os olhos para ver o que é do nosso deleite. Porém – cabe agora
o seguinte questionamento – não teríamos um acréscimo substancial de qualidade
de vida, se aprendêssemos a aproveitar o todo ao invés de nos atermos apenas a
alguns breves momentos de alegria. A vida é composta por uma miríade de
momentos, momentos estes que não podem ser integralmente de felicidade.
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