Vem aqui, senta-te ao meu lado,
por favor,
e fala-me a respeito de tuas
incoerências.
Eu sou uma boa ouvinte, não me
escapa uma só palavra.
Sei que o que dizes não é bem
aquilo que queres dizer,
mas por que tantos
circunlóquios, tanta hipocrisia...
Ah, é tão comovente a falsidade
com que nos acariciamos dia
após dia.
Eu não protesto, tu sabes muito
bem,
nem ao menos me contraponho à
tua iniquidade.
Aliás, sou feita da mesma
matéria obscena
da qual fostes inventado.
Eu não te odeio e, no entanto,
não aprendi a te amar.
Sinto muitas vezes que fomos
feitos um para o outro,
como se isso fizesse algum
sentido.
Estou cansada; vou retirar-me.
Não se esqueça de colocar o
lixo na rua.
Boa noite!
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