diálogo cotidiano

by - setembro 22, 2014

Vem aqui, senta-te ao meu lado, por favor,
e fala-me a respeito de tuas incoerências.
Eu sou uma boa ouvinte, não me escapa uma só palavra.
Sei que o que dizes não é bem aquilo que queres dizer,
mas por que tantos circunlóquios, tanta hipocrisia...
Ah, é tão comovente a falsidade
com que nos acariciamos dia após dia.
Eu não protesto, tu sabes muito bem,
nem ao menos me contraponho à tua iniquidade.
Aliás, sou feita da mesma matéria obscena
da qual fostes inventado.
Eu não te odeio e, no entanto, não aprendi a te amar.
Sinto muitas vezes que fomos feitos um para o outro,
como se isso fizesse algum sentido.
Estou cansada; vou retirar-me.
Não se esqueça de colocar o lixo na rua.

Boa noite!


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